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sexta-feira, 13 de março de 2009

Clima pode comprometer 85% da mata amazônica

A Amazônia está condenada a perder no mínimo 20% de sua fisionomia original com as mudanças climáticas. O impacto pode ser ainda pior e afetar 85% da floresta se as temperaturas subirem além de 4C, comparadas com níveis pré-industriais.


Este foi o quadro sombrio apresentado pelo Centro Hadley, instituto de meteorologia do Reino Unido, durante o Congresso Científico Internacional sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague.



O estudo sobre a resistência de ecossistemas a um nível perigoso de mudança climática usou cerca de 700 simulações em computadores para projetar o destino de florestas e geleiras. Esses modelos traçaram cenários de emissão de gases do efeito estufa e quais seriam as consequências. A partir destes dados, os pesquisadores testaram a sensibilidade da Amazônia ao calor e à seca.

Os resultados, que serão publicados na revista 'Nature Geoscience', são pessimistas. Até 2100, uma elevação entre 1C e 2C causaria uma 'retração' da floresta de 20% a 40%, e os efeitos serão bem mais severos se as temperaturas romperem esse patamar. A pior hipótese testada é uma alta de 4C, que reduziria a Amazônia a apenas 15% do que é hoje.

Segundo Vicky Pope, coordenadora do Hadley, em um planeta mais quente, espécies do cerrado (uma savana) avançaria rumo ao Norte.

'O que descobrimos é que mesmo a mais modesta elevação de temperatura afetará a floresta severamente', disse Pope à Folha.

Projeções sobre a savanização da Amazônia já vinham sendo feitas no Brasil pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Um estudo de 2007 alertava que aumentos de temperatura de '2C a 6C' aliados a períodos de seca mais severos transformariam até 18% da maior floresta tropical do planeta em algo similar ao cerrado.

O novo estudo do Hadley, entretanto, é o primeiro a mostrar, no longo prazo, a relação entre temperaturas específicas e as taxas de savanização.

Os cientistas ingleses também afirmam que uma recuperação da floresta após tudo isso não ocorreria em menos de cem anos. Alguma perda haverá, pois a temperatura global não está longe de alcançar uma elevação 1C em relação a níveis do século 19.

Segundo Pope, a melhor chance de evitar efeitos significativos na Amazônia é limitar a subida da temperatura a no máximo 2C. Para tanto, as emissões de gases-estufa precisariam atingir um pico em 2015 e a partir daí caírem 3% ao ano. Ainda assim, a probabilidade de o aquecimento efetivamente se estabilizar é de 50%.

Folha Online

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Planeta em perigo" é novo filão para o turismo

Ursos polares e geleiras ameaçadas pela mudança climática, florestas tropicais devastadas pela mão do homem: o turismo rotulado de "planeta em perigo" está fazendo muito sucesso, afirmam profissionais do setor.

"Cada vez mais as pessoas visitam os lugares porque estão convencidos de que vão sofrer mudanças --e elas querem conhecê-los antes que acabem", explicou à agência France Presse o redator-chefe da revista especializada americana TravelAge West, Ken Shapiro.

Segundo Shapiro, o "turismo de catástrofes ecológicas", um fenômeno nascido há dois anos, está se convertendo num filão importante para o setor.

Clientes ocidentais preocupados com o meio ambiente escolhem cada vez mais viagens que lhes permitam ver as geleiras da Antártica, as neves do Kilimanjaro ou a grande barreira de corais australianos, todos ameaçados pelo fenômeno da mudança climática.

"Os roteiros africanos também têm êxito crescente", explica Ross Kennedy, presidente da agência Africa Albida Tourism, que organiza safaris no Zimbábue, com visitas em bangalôs no meio da savana para dormir mais perto da natureza e das feras.

"As mudanças do meio ambiente têm impacto cada vez mais evidente na escolha dos destinos de viagem", explica Kennedy, que estava na Feira Internacional do Turismo (Fitur), que acontece em Madri.

"As pessoas dizem: é preciso ver antes que desapareça", conta.

A empresa dele, que gerencia os bangalôs perto das cataratas Victoria, no rio Zambeze, registrou alta de 4% do número de visitantes em 2008, apesar da instabilidade política do Zimbábue e o número de visitantes norte-americanos praticamente triplicou em quatro anos.

Do outro lado do planeta, os cruzeiros para a Antártica e as geleiras estão se convertendo no "must"do gênero, com um total de 46 mil visitantes na temporada passada, 2.000 a mais do que há cinco anos, indicou a Associação de Operadores de Tour na Antártica.

"A Antártica fascina por sua imensidão, seu isolamento, sua pureza e sua fauna rica em pinguins, focas e baleias", explica Juan Kratzmaier, um argentino de 38 anos que acompanha turistas pelo continente branco.

Também sempre presente no mapa mundial do turismo do meio ambiente está a pequena localidade de Churchill, de 923 habitantes, perdida no fundo da baía de Hudson, no norte canadense, apesar da ausência total de rotas para interligar o povoado com o resto do país.

Batizada de "capital mundial dos ursos polares", o local atrai uma enxurrada de de visitantes que podem ver, devidamente protegidos, os animais ameaçados de extinção.

"Os ursos polares são a principal e única razão pela qual Chrchill tem um lugar importante no mundo do turismo", concluiu Shapiro.

Folha Online, France Presse